PSIQUIATRIA E PSICANÁLISE CONCEITOS TÉCNICO-CIENTÍFICOS Por Psicanalista Marco Barbosa.

                                                     PSIQUIATRIA E PSICANÁLISE


À primeira vista pode suscitar estranheza que a Psiquiatria ao invés da Teoria Psicanalítica seja apontada em primeiro lugar, principalmente quando o presente artigo e desenvolvido por um Psicanalista. Tal priorização não se dá por presunção dessa ciência médica, toda via, é nessa especialidade médica que está situado todas as demais ciências do psiquismo e do comportamento humano, bem como, estabelece seus parâmetros e limites.
Deve-se, também, ter em consideração as patologias mais pertinentes ao psiquismo que compreendem a universalidade do que é psicogênico:
“As doenças Psicogênicas, conhecidas anteriormente como doenças “histéricas”, podem ter muitos sintomas severos tais como grampos ou a paralisia dolorosa mas sem nenhuma explicação física. Contudo, a pesquisa nova da Universidade de Cambridge e de UCL (University College Londres) sugere que os indivíduos com doença psicogênica, que é dizer a doença física que hastes dos esforços emocionais ou mentais, tenham os cérebros que funcionam diferentemente.”
Podemos dizer de maneira mais sintética que a enfermidade psicogênica está relacionada às lesões que de alguma forma alteraram a estrutura da psique, sendo a lesão, funcional, degenerativa ou abrasiva.
Vejamos as diferenças:
·         Na estrutura encontramos todas as psicoses, transtornos, oligofrenias, surtos, etc. Nessa perspectiva todas as patogenias estruturais encontram uma lesão que as define e determina. Obs. O termo lesão aqui adotado não representa qualquer tipo de trauma na anatomia física Apontamos também, aqui as neuropatias, em que o sistema nervoso, nas áreas central e periféricas, também apresenta lesão, saturação ou stress.
·         A teoria estrutural, no entanto, transita conceitualmente quando nos referimos às neuropatias, pois conceituamos estrutura com base no que é físico, logo, orgânico não nos atendo ao psiquismo que figura em todo o processo estrutural/psicogênico.
·         Não-estrutural varia, no entanto, quando nos referimos às psicopatias em que não são encontradas lesões nem na esfera funcional, degenerativa ou abrasiva. Tendo essa premissa em vista, toda e qualquer neurose não consiste ser estrutural fazendo parte do universo assimilável, ou seja: experiências, vivências, traumas, recalques, principalmente quando relacionados com a “libido” (gratificação e obtenção do prazer), ou fixação problemática.
·         Portanto, a Psicanálise se ocupa de desordens psíquicas na esfera não estrutural, enquanto a Psiquiatria atenta para o tratamento das psicopatologias estruturais/psicogênicas.
·         Já a Neurologia atenta para as patologias estruturais/ neurológicas.

Epidemiologia: “As doenças mentais e neurológicas atingem aproximadamente 700 milhões de pessoas no mundo, representando um terço do total de casos de doenças não transmissíveis, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Os especialistas advertem que pelo menos um terço dos que sofrem com problemas mentais e neurológicos não tem acompanhamento médico. A revelação está no Plano de Ação para a Saúde Mental 2013-2020”. (Agência Brasil de Comunicação, Brasília – DF 2013).
  Numa outra abordagem, é da perspectiva da psiquiatria que visualizamos a independência da psicanálise como ciência autônoma nos estudos e intervenções do psiquismo humano e onde também, se faz a delimitação das áreas de competência técnico e científica entre ambas. Neste tocante é fundamentalmente necessário que se explicite de forma bem clara e inteligível que a Psicanálise não consiste ser uma subespecialidade da Psiquiatria e também, não é especialidade médica. São, sim ciências autônomas afins, porém completamente definidas e atentando para o cuidado de partes específicas do psiquismo que não se confundem.
Essencialmente, os objetivos e perspectivas são diferentes. Vamos ver:
·         Os distúrbios mentais podem ser subdivididos em duas categorias fundamentais: estruturais e não estruturais.
·         Os estruturais, observamos que esses são subdivididos em psicogênicos e neurológicos (embora o conceito seja ainda diferente do último caso, pois compete ser área da neurologia, ex.: doenças de origem neurológica que afetam a mente, como a demência do tipo Alzheimer a título de exemplificação)
·         Os psicogênicos competem à Psiquiatria.
·         Os neurológicos competem à Neurologia.
·         Os não estruturais e não psicogênicos competem à psicanálise.

Por Psicanalista Marco Barbosa
Psicanalista e Neuropsicanalista Clínico, Self Coach, Professor e Filósofo.
Atendimentos para Transtornos Emocionais, Psicológicos e Comportamentais.
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:


SILVA, Heitor Antônio. Psiquiatria aplicada à psicanálise. 4° ed. Ver. e ampl. – Niterói, RJ: SPOB, 2001.

http://www.news-medical.net/news/20130225/9846/Portuguese.aspx
em 19/04/2016


http://memoria.ebc.com.br/agenciabrasil/noticia/2013-05-20/oms-doencas-mentais-e-neurologicas-atingem-cerca-de-700-milhoes-de-pessoas-alerta-oms em 19/04/2016

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