TDAH, NEUROCIÊNCIA E PSICANÁLISE

 

TDAH E NEUROCIÊNCIA

O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é um dos diagnósticos mais comuns na infância e na adolescência, caracterizado por sintomas de desatenção, impulsividade e hiperatividade. Mas o que a psicanálise tem a dizer sobre esse transtorno? Será que ele existe mesmo ou é uma forma de medicalizar e rotular comportamentos considerados indesejáveis pela sociedade?



O transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) é uma condição que afeta cerca de 5% das crianças e 2,5% dos adultos no mundo. O TDAH se caracteriza por dificuldades de concentração, impulsividade e hiperatividade, que podem prejudicar o desempenho escolar, profissional e social dos indivíduos.

Mas o que causa o TDAH? E como a neurociência pode ajudar a entender e tratar esse transtorno?

A neurociência é a ciência que estuda o funcionamento do sistema nervoso, incluindo o cérebro, a medula espinhal e os nervos. O cérebro é o órgão responsável por controlar todas as nossas funções cognitivas, emocionais e comportamentais, através de uma rede complexa de células chamadas neurônios, que se comunicam por meio de sinais elétricos e químicos.

Uma das hipóteses mais aceitas para explicar o TDAH é que ele seja causado por um desequilíbrio na produção ou na recepção de alguns neurotransmissores, que são as substâncias químicas que os neurônios usam para se comunicar. Os principais neurotransmissores envolvidos no TDAH são a dopamina e a noradrenalina, que estão relacionados à atenção, à motivação, à recompensa e à inibição de impulsos.

Estudos com técnicas de neuroimagem, como a ressonância magnética funcional (fMRI), mostram que pessoas com TDAH apresentam alterações na estrutura e na atividade de algumas regiões cerebrais, especialmente no córtex pré-frontal, que é a parte do cérebro responsável pelo planejamento, pela tomada de decisões e pelo controle inibitório.

O tratamento do TDAH envolve uma abordagem multidisciplinar, que pode incluir medicamentos, psicoterapia, orientação familiar e escolar, entre outras intervenções. Os medicamentos mais usados são os estimulantes, como o metilfenidato e a anfetamina, que aumentam os níveis de dopamina e noradrenalina no cérebro e melhoram os sintomas de desatenção e hiperatividade. No entanto, esses medicamentos podem causar efeitos colaterais, como insônia, perda de apetite, irritabilidade e dependência.



A neurociência também tem contribuído para o desenvolvimento de novas formas de tratamento do TDAH, como a estimulação magnética transcraniana (EMT) e o neurofeedback. A EMT consiste em aplicar pulsos magnéticos na superfície do crânio, que podem modular a atividade dos neurônios em determinadas regiões cerebrais. O neurofeedback é um método que usa sensores para medir as ondas cerebrais do paciente e fornecer um feedback visual ou auditivo, que pode ajudar a treinar o cérebro a regular sua própria atividade.

O TDAH é um transtorno complexo e multifatorial, que ainda não tem uma causa definida nem uma cura definitiva. No entanto, a neurociência tem avançado muito no conhecimento sobre o funcionamento do cérebro e na busca por novas formas de diagnóstico e tratamento do TDAH. Com isso, espera-se melhorar a qualidade de vida das pessoas que sofrem com esse transtorno e oferecer mais esperança para o futuro.

TDAH E PSICANÁLISE

A psicanálise é uma teoria e uma prática que busca compreender o funcionamento psíquico do sujeito, levando em conta a sua história, os seus desejos, os seus conflitos, as suas angústias e as suas defesas. A psicanálise não se baseia em critérios objetivos e quantificáveis para definir um diagnóstico, mas sim em uma escuta atenta e sensível do que o sujeito tem a dizer sobre si mesmo e sobre o seu sofrimento.



Para a psicanálise, o TDAH não é uma doença orgânica ou genética, mas sim uma forma de expressão de um mal-estar subjetivo, que pode ter diversas causas e significados. O TDAH pode ser visto como um sintoma, ou seja, um sinal de que algo não vai bem na relação do sujeito consigo mesmo e com o outro. O sintoma pode ser uma forma de chamar a atenção, de protestar, de se defender, de se adaptar ou de se expressar.

A psicanálise não busca eliminar o sintoma, mas sim entender o seu sentido e a sua função para o sujeito. A psicanálise não oferece uma solução rápida e fácil, mas sim um espaço de acolhimento, de escuta e de elaboração. A psicanálise não prescreve medicamentos, mas sim propõe uma reflexão sobre o uso e os efeitos dos mesmos. A psicanálise não pretende normalizar o sujeito, mas sim respeitar a sua singularidade e a sua criatividade.

A psicanálise pode ajudar o sujeito que sofre com o TDAH a se conhecer melhor, a reconhecer os seus desejos e os seus limites, a lidar com as suas frustrações e as suas angústias, a se relacionar melhor com os outros e consigo mesmo, a desenvolver os seus potenciais e a encontrar o seu lugar no mundo.

Por Psicanalista Marco Barbosa
Psicanalista e Neuropsicanalista Clínico, Self Coach, Professor e Filósofo.
Atendimentos para Transtornos Emocionais, Psicológicos e Comportamentais.
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