A Repetição no Vínculo: O Trauma do Abuso na Vida Adulta, a Busca pelo Amor e a Compulsão à Repetição
O trauma infantil não é um evento que fica preso no passado; ele se torna um organizador central da vida psíquica, especialmente na forma como o sobrevivente se relaciona com o desejo e a intimidade. O adulto carrega a memória sem palavras da violência, o que o predispõe à compulsão à repetição em suas relações mais íntimas.
O Trauma como Guia da Escolha Amorosa
A compulsão à repetição, conceito freudiano, leva o sujeito a reviver a experiência traumática, buscando, de forma inconsciente, dominar o que foi insuportável no passado.
A Repetição do Cenário: O sobrevivente do abuso tende a buscar parceiros ou situações que, de forma sutil ou explícita, reproduzem a dinâmica original do trauma: dominação, desvalorização, confusão de limites ou até mesmo violência. Isso ocorre porque o Eu, aprisionado pela experiência não-elaborada, só "conhece" essa forma de relação intensa. O familiar, mesmo que seja doloroso, é preferível ao desconhecido.
O Dilema do Afeto: O trauma original corrompeu a distinção entre amor, desejo e perigo. O adulto pode experimentar a intimidade e a proximidade afetiva como uma ameaça ou uma preparação para a dor. Ele pode se afastar do amor saudável (por ser "muito estranho" ou "sem graça") e se sentir atraído pelo que é caótico ou destrutivo, repetindo a falha em ser visto como sujeito.
Dissociação no Vínculo: A dissociação, o mecanismo de defesa aprendido na infância para sobreviver ao abuso, pode ser reativada nos relacionamentos adultos. Em momentos de intimidade ou conflito, o indivíduo pode se sentir ausente, desligado ou vivenciar a despersonalização, interrompendo a conexão e protegendo-se inconscientemente do potencial perigo da fusão.
O desafio da análise, nesses casos, é duplo: primeiro, nomear e simbolizar o trauma que foi vivido fora da linguagem; segundo, ajudar o paciente a romper o ciclo da repetição na transferência (aqui e agora na relação analítica) e, finalmente, na vida. O objetivo é que o sobrevivente possa diferenciar o desejo da destruição e aceitar o amor sem a contaminação da violência passada.
Para Refletir: Se a repetição é uma tentativa inconsciente de dominar a experiência traumática, como o reconhecimento da própria agressividade e o luto pelo "objeto bom" perdido podem abrir o caminho para um novo tipo de escolha afetiva?
Sugestão de Leitura (Bibliografia):
FREUD, S. (1920). Além do Princípio do Prazer (Introdução fundamental à compulsão à repetição).
HERMAN, J. L. (1992). Trauma e Recuperação (Excelente trabalho sobre a sobrevivência, o luto e a reconstrução da vida após o trauma).
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Boa tarde. Tenho a percepção clara de viver a repetição de ciclos tóxicos nos relacionamentos amorosos vividos pelas mulheres de minha família, onde parece se estar numa teia difícil de sair.
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