Asperger – A Lógica Singular e a Dificuldade do Laço Social
A Síndrome de Asperger (hoje classificada como Transtorno do Espectro Autista – Nível 1) é marcada pela dificuldade na interação social, padrões de comportamento restritos e interesses intensos e específicos. Na Psicanálise, olhamos para essa manifestação como uma forma particular de o sujeito se relacionar com a linguagem e com o Outro, um modo de existir que privilegia a lógica e a factualidade em detrimento da ambiguidade dos afetos.
O Domínio da Razão e a Fuga do Afeto
Para o sujeito com Asperger, o mundo é percebido com uma clareza lógica e concreta que impede a fluidez e a nuance das relações humanas. O psiquismo pode estar organizado para se proteger do que é confuso ou imprevisível: o afeto e a intersubjetividade.
A Literalidade da Linguagem: A dificuldade em entender ironias, metáforas e expressões faciais é, psicanaliticamente, a dificuldade em se mover no campo simbólico e ambíguo da linguagem. O sujeito se apega ao significante (a palavra em si) e tem dificuldade com o significado (o que está por trás da palavra, o desejo do Outro).
O Refúgio no Interesse Específico: Os interesses restritos e intensos (em fatos, regras, coleções) funcionam como um refúgio seguro onde o sujeito pode exercer controle e previsibilidade. Eles são um investimento libidinal que oferece estabilidade em um mundo social percebido como caótico ou invasivo.
A Ansiedade do Encontro: A dificuldade na interação social é marcada pela ansiedade de não saber "o que fazer" ou "o que dizer", pois as regras sociais não são lógicas ou universais; elas dependem do desejo do Outro. A esquiva social é uma defesa contra a angústia de ser confrontado com a imprevisibilidade do vínculo.
O trabalho psicanalítico com o sujeito no espectro é construir, lentamente, um laço de confiança no qual o terapeuta se torne um tradutor dos códigos afetivos, ajudando o sujeito a inventar pontes entre sua lógica interna e o mundo social, sem exigir que ele abandone sua singularidade. O objetivo é permitir que o sujeito se sinta menos aterrorizado pela complexidade das relações e mais capaz de escolher como interagir.
Para Refletir: Qual regra não escrita do convívio social lhe parece a mais ilógica e aterrorizante de todas?
Sugestão de Leitura (Bibliografia):
LACAN, J. (Seminário, Livro 20). Mais, Ainda (sobre a relação do sujeito com o Outro e a falha do universal).
BION, W. R. (1962). Aprendendo da Experiência (sobre a dificuldade em lidar com a coisa-em-si e a capacidade de pensar).
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Dr. Marco Barbosa, Psicanalista. WhatsApp: 📲 17 997116341
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