Compulsão em Mentir – A Construção de uma Realidade Paralela

 


A compulsão em mentir (ou mitomania) vai além da mentira ocasional. É um sintoma que revela uma necessidade psíquica profunda de criar uma realidade paralela mais suportável ou de se proteger de uma verdade que é sentida como aniquiladora. Para a Psicanálise, a mentira compulsiva é uma defesa radical na tentativa de sustentar uma identidade fragilizada.

A Fuga da Realidade e a Constituição do Eu

O sujeito que mente compulsivamente não está apenas tentando enganar o outro; ele está, principalmente, tentando enganar a si mesmo e evitar o confronto com a sua falta ou insuficiência:

  • O Eu Não Suportado: A mentira é uma forma de reparar um Eu ferido. O sujeito inventa uma história (de sucesso, de importância, de proezas) para compensar, na fantasia, uma fragilidade narcísica profunda ou um sentimento de desvalorização. A mentira serve como um remendo para a autoimagem.

  • O Controle da Relação: Ao mentir, o sujeito tenta controlar a forma como é visto pelo Outro. Ele manipula a percepção externa na esperança de garantir o amor, a atenção ou a admiração que sente não merecer pela sua "verdadeira" identidade.

  • A Confusão entre Desejo e Realidade: Na compulsão em mentir, há uma dificuldade em distinguir claramente a fantasia da realidade. O desejo de ser aquela pessoa inventada se torna tão potente que a mentira se sobrepõe ao fato, tornando-se a única "verdade" possível para o sujeito.

A Psicanálise busca desvendar a função que a mentira cumpre no psiquismo do sujeito: o que é tão aterrorizante na verdade que precisa ser incessantemente evitado? Ao resgatar a capacidade de suportar a própria falta e de confrontar a história real, o sujeito pode, aos poucos, parar de precisar da fantasia para existir e construir uma identidade baseada na autenticidade.

Para Refletir: Se você não precisasse da mentira para impressionar ou se proteger, quem você realmente seria?

Sugestão de Leitura (Bibliografia):

  • FREUD, S. (1914). Sobre o Narcisismo: Uma Introdução (para a relação entre idealização e autoestima).

  • GREENACRE, P. (1994). La mentira, la no-comunicación y la personalidad obsesiva (sobre a relação da fantasia com a realidade).


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