COVID Longa – A Clínica do Trauma, do Luto e do Real no Corpo
A Síndrome Pós-COVID ou COVID Longa é o conjunto de sintomas físicos e psíquicos persistentes que afetam o sujeito meses após a infecção inicial. Para a Psicanálise, esses sintomas (fadiga crônica, névoa mental, ansiedade, depressão) são a expressão de um trauma que não se esgotou com a cura viral, mas que continua a agir no psiquismo.
A Ruptura Traumática e o Encontro com o Real da Morte
A experiência da COVID-19, especialmente quando grave, é um encontro com o Real (no sentido lacaniano), ou seja, com aquilo que não tem nome, com a morte e a fragilidade da vida. A persistência dos sintomas coloca o sujeito em uma neurose traumática:
O Trauma do Desamparo: A doença, a internação e o isolamento imposto pela pandemia escancararam o desamparo original do ser humano. A angústia presente na COVID Longa não é apenas ligada a um medo específico, mas a um sentimento de fragilidade estrutural. Os sintomas persistentes funcionam como uma compulsão à repetição, onde o psiquismo tenta incessantemente, e sem sucesso, amarrar e elaborar a dor e o medo do colapso vividos.
Luto Sem Rito: A pandemia impôs lutos múltiplos e atípicos. O luto pela saúde perdida, pela capacidade de trabalho (fadiga), pela memória (névoa mental) e, muitas vezes, pela perda de entes queridos sem os rituais fúnebres adequados. A dificuldade em realizar o trabalho do luto faz com que a libido fique presa ao objeto perdido (saúde, corpo anterior), resultando em quadros que podem resvalar para a melancolia e a depressão.
O Corpo Sintomático: A Psicanálise, ao acolher a COVID Longa, reconhece o dano orgânico, mas se concentra na subjetivação desse dano. Os sintomas como a dor e a fadiga são também sinais de um sofrimento psíquico que o corpo exprime. A escuta analítica busca transformar o silêncio da dor em palavra, permitindo que o sujeito ressignifique a experiência de catástrofe e a reintegre à sua história.
O trabalho psicanalítico é vital para que o sujeito não apenas se recupere fisicamente (o que cabe à medicina), mas que se reafirme como sujeito após a ameaça de aniquilamento. É transformar a paralisação da angústia em afirmação de vida, abrindo caminhos para novos sentidos e projetos de futuro.
Para Refletir: O que a persistência dos seus sintomas físicos está comunicando sobre o trauma e as perdas que o seu psiquismo ainda não conseguiu elaborar?
Sugestão de Leitura (Bibliografia):
FREUD, S. (1920). Além do Princípio do Prazer (para a neurose traumática e compulsão à repetição).
BIRMAN, J. (2021). O Trauma na Pandemia do Coronavírus (sobre as dimensões do trauma na contemporaneidade).
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Dr. Marco Barbosa, Psicanalista. WhatsApp: 📲 17 997116341
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