Distimia: A Tristeza Silenciosa que se Instala e o Luto Perpétuo
O Transtorno de Humor Afetivo Persistente (Distimia), caracterizado por um humor cronicamente deprimido e baixa energia, é frequentemente confundido com traço de personalidade ("sou assim mesmo"). Na visão psicanalítica, a Distimia se aproxima de um estado de luto não elaborado, uma tristeza que se tornou uma forma de estar no mundo, paralisando a libido.
O Luto Congelado e a Crítica Interna
A Distimia não é o luto claro e definido pela perda de um ente querido, mas sim o luto por uma perda de objeto abstrato — a perda de um ideal, de uma esperança, de um amor não correspondido, ou, muitas vezes, a perda de um Eu idealizado que nunca pôde ser alcançado.
O Superego Melancólico: O sujeito distímico vive sob o peso de um Superego extremamente cruel e exigente, que o ataca e o desvaloriza. Freud observou que na melancolia, a crítica dirigida ao objeto de amor perdido (aquilo que não se pôde ter ou manter) é internalizada e passa a ser dirigida ao próprio Ego do sujeito. A tristeza persistente é, em parte, o resultado dessa autocrítica incessante.
A Fixação na Perda: A Distimia é como um luto congelado no tempo, no qual o investimento libidinal (a energia psíquica para viver e desejar) não consegue ser retirado do objeto perdido (real ou idealizado). O sujeito continua "preso" a essa perda, e a tristeza se torna uma forma de manter o vínculo com o que se foi.
A Resistência ao Desejo: O estado de "mau humor" constante funciona como uma resistência contra o próprio desejo e a alegria, pois a alegria e o investimento na vida poderiam ser lidos inconscientemente como uma traição ao objeto perdido.
A análise busca descongelar esse luto, dando voz à crítica interna e ao objeto de amor que foi perdido ou frustrado. Ao nomear a perda e elaborar a dor, a energia psíquica pode ser gradualmente liberada para novos investimentos e desejos, transformando a tristeza passiva em capacidade de viver e desejar no presente.
Para Refletir: O que você está tentando manter vivo ou honrar ao permanecer fiel a essa tristeza silenciosa?
Sugestão de Leitura (Bibliografia):
FREUD, S. (1917 [1915]). Luto e Melancolia (texto central para a distinção entre o luto normal e a melancolia/depressão).
ABRAHAM, K. (1911). A primeira fase do desenvolvimento libidinal humano.
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