Espectro Autista – A Construção do Mundo Interno e o Lugar do Outro
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é primariamente uma condição do neurodesenvolvimento, mas a Psicanálise oferece uma perspectiva essencialmente diferente para o manejo clínico e o sofrimento do sujeito. Em vez de focar apenas no déficit comportamental, a psicanálise foca em como a subjetividade é construída e na relação do sujeito com o Outro e com a Linguagem.
A Barreira da Linguagem e a Recusa do Sentido
Na visão psicanalítica, o autismo pode ser entendido como uma falha, ou um modo particular, na inscrição do sujeito na linguagem e no mundo simbólico:
A Barreira Protetora: A dificuldade de interação social e a insistência na repetição (estereotipias) e na mesmice (rotina) funcionam como uma barreira protetora contra a invasão e a angústia do Outro. O sujeito constrói um mundo interno rígido e previsível para se defender do caos e da imprevisibilidade do mundo externo e da demanda alheia.
A Falha no Vínculo: A constituição do sujeito depende do desejo do Outro (a mãe). No autismo, discute-se a dificuldade ou a ausência na constituição do corpo pulsional e na entrada no campo do desejo. O sujeito pode não se sentir convocado ou interpelado pelo desejo do outro, permanecendo em um estado de auto-satisfação primária.
O Tratamento pela Fala: A clínica psicanalítica com pacientes no espectro não busca "normalizar", mas sim abrir um caminho para a singularidade do sujeito. O terapeuta se coloca como um parceiro que sustenta a presença sem demanda invasiva, utilizando o brincar, os objetos e a fala de forma a pulsionar a emergência do desejo e a entrada no laço social, permitindo que o sujeito construa, à sua maneira, um lugar próprio no mundo.
O trabalho é sobre a invenção de um modo de vida que seja possível e menos sofrido, ajudando o sujeito a transformar a rigidez em formas de comunicação que não sejam totalmente fechadas ao Outro.
Para Refletir: De que maneira o mundo pode ser muito barulhento ou invasivo para que o seu desejo mais singular consiga se manifestar?
Sugestão de Leitura (Bibliografia):
LAURENT, É. (1992). Três Posições do Analista na Clínica das Psicoses.
WINNICOTT, D. W. (1971). O Brincar e a Realidade (sobre a importância do espaço potencial e do brincar para a subjetivação).
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Dr. Marco Barbosa, Psicanalista. WhatsApp: 📲 17 997116341
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