O Caminho da Reparação: A Função do Luto e do Vínculo Terapêutico na Reconstrução do Self Pós-Trauma
A jornada do sobrevivente de abuso não termina com o fim do ato violento. O processo de cura psicanalítica exige um trabalho de luto e a construção de um novo vínculo que possa contrastar e, finalmente, substituir o vínculo traumático original. A análise torna-se o laboratório onde o sujeito pode, pela primeira vez, sentir e pensar o insuportável.
A Função Reparadora da Análise
O ambiente analítico oferece as condições para a simbolização e a reparação do Eu fragmentado:
O Luto da Infância Perdida: O primeiro e mais doloroso passo é o luto – não apenas do evento em si, mas do Eu ideal que a criança nunca pôde ser e do objeto de amor idealizado (a família ou o cuidador) que falhou em protegê-la. O luto permite a desidealização e o reconhecimento de que a perda é real, mas que o Eu pode sobreviver a ela.
O Vínculo de Holding e o Container: O analista precisa atuar como o ambiente de holding (Winnicott) e o vaso (container) (Bion) para a dor indizível. Ele precisa suportar a intensa transferência traumática (o terror, a desconfiança, a agressividade e a dissociação) sem atuar, reagir ou se desintegrar. Essa capacidade de "digerir" o terror (elementos Beta) e devolvê-lo como pensamento (elementos Alfa) é o que reativa a função de simbolização no paciente.
A Reconstrução da Confiança Básica: O vínculo terapêutico, marcado pela constância, limite e confiabilidade, torna-se o modelo de apego seguro que faltou na infância. É nesse espaço que o sobrevivente aprende a tolerar a intimidade sem a expectativa de ser dominado e a diferenciar o passado do presente. A reparação não é apagar o trauma, mas integrá-lo à narrativa do Eu de forma que ele se torne memória, e não mais um destino (compulsão à repetição).
O objetivo final não é a "normalidade", mas a autonomia psíquica e a capacidade de amar e trabalhar que o trauma havia sequestrado. Ao dar testemunho na análise, o sobrevivente retoma o controle da sua história, transforma o segredo em palavra e, assim, reconstrói a si mesmo como um sujeito.
Para Refletir: Se o trauma é uma experiência de impotência, a narrativa do sobrevivente, ao ser falada e validada na clínica, não se torna o ato de poder simbólico mais importante para a sua cura?
Sugestão de Leitura (Bibliografia):
WINNICOTT, D. W. (1960). A Teoria do Relacionamento Parental (Conceitos de holding e ambiente facilitador).
BION, W. R. (1962). Aprendendo da Experiência (Conceito de função alfa e a digestão das experiências emocionais).
Caso precise de mais informações ou orientações sobre sua jornada de autoconhecimento, conte sempre comigo.
Dr. Marco Barbosa, Psicanalista. WhatsApp: 📲 17 997116341
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