O Complexo de Édipo Revisitado: A Maternidade como Repetição, Reparação e a Quebra do Destino
A decisão de ser mãe, ou o próprio ato de maternar, reativa intensamente o Complexo de Édipo e, principalmente, a relação primitiva e ambivalente com a própria mãe (a mãe pré-edípica). A maternidade força a mulher a confrontar o Ideal do Eu e a forma como ela foi, ou não, sustentada em sua infância.
Entre a Repetição e a Reparação
A chegada do filho coloca a mulher na posição de objeto de amor e, simultaneamente, de objeto de ódio (pela frustração que ela inevitavelmente impõe ao bebê), reeditando a dinâmica com sua própria mãe:
A Compulsão à Repetição: Muitas vezes, a mulher, inconscientemente, repete com o filho os padrões de cuidado (ou a falta dele) que recebeu de sua mãe. Se ela não internalizou uma Função Materna sólida (um container seguro), ela pode usar o filho como objeto narcísico, projetando nele seus próprios desejos e angústias (o que Winnicott chama de "o bebê como a mãe que ela nunca teve"). O filho, nesse caso, é usado para reparar o self materno, e não para ser um sujeito em si.
A Ansiedade e a Culpa da Mãe Depressiva: O bebê, com sua dependência total, reativa a Ansiedade Depressiva (Klein), na qual a mãe teme destruir o filho com sua raiva, impaciência ou falhas. A culpa surge, impulsionando o impulso de Reparação. A tentativa de ser uma "mãe perfeita" (o Ideal do Eu materno) é muitas vezes uma defesa maníaca contra essa culpa e a repetição do trauma.
A Chance de Quebra do Destino: A maternidade, no entanto, é a maior oportunidade de reparação e de transformação do destino. Ao conseguir suportar a agressividade do bebê e a sua própria falha (mãe suficientemente boa), a mulher pode criar um vínculo novo, diferente daquele que a estruturou. Ela não apenas internaliza o filho, mas reinternaliza a si mesma através do olhar do bebê, reescrevendo a sua história com a sua própria mãe. O sucesso da maternidade reside na capacidade de permitir que o filho seja o Outro, sem a necessidade de que ele preencha suas próprias faltas.
A Psicanálise, nesse contexto, auxilia a mulher a diferenciar-se da mãe idealizada ou odiada, a dar nome às suas falhas e a suportar o luto pela perda da identidade pré-maternal. É nesse luto que ela encontra a liberdade para ser uma mãe real, com suas limitações, e não uma repetição aprisionada.
Para Refletir: O forte julgamento social e a auto-cobrança em torno da maternidade não refletem a dificuldade da cultura em aceitar que o amor e o ódio, a falha e o cuidado, coexistem no complexo papel materno?
Sugestão de Leitura (Bibliografia):
KLEIN, M. (1940). O Luto e suas Relações com os Estados Maníaco-Depressivos (Aplicações do impulso de reparação).
WINNICOTT, D. W. (1971). O Brincar e a Realidade (A importância da separação e do espaço potencial na relação mãe-bebê).
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Dr. Marco Barbosa, Psicanalista. WhatsApp: 📲 17 997116341
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