O Vício e a Compulsão: A Busca Pelo Gozo Total no Mundo do Capitalismo Tardio
O vício na contemporaneidade, seja em substâncias, telas, compras ou trabalho, é o sintoma central de uma sociedade regida pelo imperativo de gozo e pelo consumo sem limite. O Capitalismo Tardo (ou neoliberal) exige que o sujeito seja um consumidor e um produtor incansável, promovendo a ilusão de que a felicidade é um produto acessível através da satisfação imediata. O vício é a tentativa de cumprir essa promessa.
O Gozo Imediato e o Vazio Estrutural
O vício não é primariamente a busca pelo prazer (Princípio do Prazer), mas uma compulsão para silenciar a angústia de desamparo e o vazio psíquico (patologias do vazio):
A Falha na Mediação: O vício é a busca por um Gozo Total que não é mediado pela linguagem e pela cultura (Lacan). A substância ou o ato compulsivo atua como um atalho para uma satisfação imediata e destrutiva. O sujeito tenta, literalmente, tapar o buraco da falta estrutural (a castração) com o objeto de adição.
O Supereu da Satisfação: O Capitalismo internalizou o Supereu na forma de um comando: "Goza! Consuma! Seja feliz!" O vício é uma obediência perversa a esse comando. O sujeito se sente culpado por não ser feliz e, em um círculo vicioso, recorre ao consumo (da droga, da tela, do produto) para aliviar a ansiedade gerada pela própria exigência de satisfação.
O Corpo como Escala: No vício, o corpo é usado como escala de medida e de descarga. A droga ou o ato compulsivo leva a um estado de excitação que busca desligar a mente (dissociação). É a recusa em usar a Função Alfa (Bion) para pensar a dor. O corpo sofre a violência da descarga para que a mente não precise suportar a angústia de ser.
A clínica do vício exige que o analista ajude o paciente a reintroduzir o limite (a Lei) onde havia o imperativo de gozo. É preciso que o sujeito possa, novamente, sentir a falta e tolerar a frustração sem a necessidade de destruição imediata. O trabalho é devolver o viciado ao campo do desejo, que é sempre mediado pela palavra e, portanto, pela falta, em oposição à tirania da pulsão no vício.
Para Refletir: O uso excessivo das redes sociais, que prometem uma conexão total, mas frequentemente geram isolamento e ansiedade, não é a manifestação mais clara dessa busca viciante por um gozo ilusório e destrutivo na cultura contemporânea?
Sugestão de Leitura (Bibliografia):
MILLER, J.-A. (1998). Ação da Causa na Clínica Psicanalítica (Sobre o gozo e a compulsão no vício).
BIRMAN, J. (2012). O Sujeito na Contemporaneidade (Análise do sujeito do consumo e do desempenho).
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