Psicose – A Psicanálise e a Reconstrução do Mundo
A Psicose, em suas manifestações (como esquizofrenia ou algumas formas de paranoia), é caracterizada por uma ruptura com a realidade e a emergência de fenômenos como delírios e alucinações. O tratamento, que exige uma abordagem multidisciplinar (com medicação psiquiátrica), encontra na Psicanálise um colaborador essencial e complementar, focando na reconstrução da realidade psíquica do sujeito.
Sustentando o Sujeito na Falha da Linguagem
Na Psicanálise de orientação lacaniana, a psicose é frequentemente entendida como uma "foraclusão do Nome-do-Pai" — uma falha na inscrição da Lei (o limite, o simbólico) que impede o sujeito de organizar sua realidade através da linguagem comum. O delírio, então, surge como uma tentativa desesperada e singular de dar sentido ao mundo que se desorganizou.
A Função do Analista: O papel do psicanalista não é "curar" a psicose ou confrontar o delírio, mas sim oferecer uma amarra simbólica e um ponto de estabilidade. O analista atua como um "secretário do alienado", ajudando o sujeito a organizar, a dar consistência e a estruturar a sua produção delirante, transformando o caos em uma narrativa (ainda que singular).
O Manejo da Transferência: Na psicose, a Transferência é muitas vezes intensa e imediata, podendo ser vivida como invasão ou amor/ódio radical. O analista precisa manejar essa relação com extrema cautela e ética, sustentando uma presença sem demanda excessiva e evitando ser capturado pelo delírio do paciente.
A Invenção de um "Sinthoma": O objetivo não é o "retorno à normalidade", mas sim auxiliar o sujeito a inventar uma solução singular para a sua falha estrutural. Essa solução, que Lacan chama de sinthoma, é um ponto de ancoragem (pode ser um hobby, uma rotina, uma obra) que permite ao sujeito se ligar à realidade de forma própria, mantendo a vida habitável e o sofrimento sob um limite tolerável.
A Psicanálise, portanto, não substitui o tratamento médico, mas oferece o tempo e o espaço de escuta necessários para que o sujeito psicótico possa, com apoio, construir um lugar próprio e menos aterrorizante no mundo.
Para Refletir: Se o delírio é uma tentativa de dar sentido, qual sentido insuportável o sujeito está tentando evitar que se instale em sua vida?
Sugestão de Leitura (Bibliografia):
LACAN, J. (Seminário, Livro 3). As Psicoses.
FREUD, S. (1911). Notas psicanalíticas sobre um relato autobiográfico de um caso de paranoia (Dementia paranoides) (O Caso Schreber).
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