A Autoridade no Mundo Digital: O Declínio da Figura Paterna e o Supereu da Performance
A Psicanálise tradicionalmente entende a Lei e o Supereu (a instância da censura e da moral) como herdeiros do Complexo de Édipo e da internalização da Função Paterna – a figura que introduz a interdição e a separação da díade mãe-bebê. No entanto, a sociedade contemporânea, marcada pelo consumo, pela aceleração e pela onipresença digital, testemunha um declínio da autoridade paterna clássica, que é substituída por um novo tipo de exigência: o Supereu da Performance.
Do Pai da Interdição ao Supereu do Desempenho
As exigências psíquicas impostas ao sujeito moderno não vêm mais primordialmente de uma figura de autoridade que diz "Não faça!" (o pai da Lei e da Castração), mas de uma cultura que incessantemente diz "Você deve!":
O Declínio da Proibição: A figura paterna, que representa a Lei e o Limite, perde força em uma sociedade onde o imperativo é a satisfação imediata (Princípio do Prazer) e o consumo sem restrições. A crise da autoridade não é a ausência de regras, mas a fragilização da função que nomeia e sustenta o limite simbólico.
A Tirania da Felicidade: O novo Supereu é um imperativo de gozo e performance. O sujeito não é mais culpado por desejar (Freud), mas por falhar em ser feliz, produtivo e realizado (Bifo Berardi). A exigência é de ser o empreendedor de si mesmo, o criador de conteúdo, e o gestor da própria felicidade e imagem.
A Exposição e o Pânico: O mundo digital amplifica essa pressão. As redes sociais se tornam o palco de uma performance narcísica constante. A falha não é mais um segredo interno, mas um vexame público. A culpa é substituída pela vergonha e pelo pânico de não atingir o ideal imposto. O Supereu da Performance gera ansiedade de insuficiência e depressão por exaustão, pois a tarefa de ser "tudo" e "sempre feliz" é humanamente impossível.
O trabalho clínico deve, portanto, ajudar o indivíduo a resistir a essa tirania da performance e a reintroduzir o direito ao limite e à imperfeição. O analista precisa ajudar a desmascarar esse novo Supereu, mostrando que ele é uma ilusão cultural que rouba a capacidade de se relacionar com a própria falta e humanidade.
Para Refletir: Onde a constante necessidade de validade externa (likes, aprovação, elogios) em sua vida reflete a introjeção desse Supereu cultural que substituiu a Lei paterna pela métrica do desempenho?
Sugestão de Leitura (Bibliografia):
LASCH, C. (1979). A Cultura do Narcisismo (Análise precursora da ênfase no self e na imagem).
BIRMAN, J. (2012). O Sujeito na Contemporaneidade (Abordagem da mudança do sujeito da neurose para a subjetividade do desempenho).
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Dr. Marco Barbosa, Psicanalista. WhatsApp: 📲 17 997116341
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