A Culpa e a Reparação: A Posição Depressiva e o Início da Integração e da Responsabilidade Ética (Klein)
A Posição Depressiva surge por volta do sexto mês de vida e representa um avanço significativo na capacidade de amar e se relacionar do bebê. Neste estágio, a criança começa a integrar as imagens cindidas (splitting) do Objeto Bom e do Objeto Mau, percebendo a mãe (ou cuidador primário) como uma pessoa total, que possui qualidades boas e más. Essa integração do objeto provoca uma nova e profunda ansiedade: o medo de ter destruído o objeto amado.
O Medo da Perda e o Surgimento da Culpa
A Posição Depressiva é caracterizada pela ambivalência afetiva e pelo nascimento da culpa:
Integração do Objeto: O bebê percebe que o seio que o alimenta (bom) e a mãe que o frustra (mau) são, na verdade, a mesma pessoa. Essa descoberta gera um conflito psíquico intenso: a criança se dá conta de que os seus ataques destrutivos (a raiva, o ódio) foram dirigidos à pessoa que ela também ama e da qual depende.
A Ansiedade Depressiva: O medo agora não é mais o de ser perseguido (paranoide), mas o de ter destruído a mãe em fantasia. Surge a culpa – a dor pela possibilidade de perda e o remorso pela agressividade fantasiosa. A mãe real se torna, então, um objeto de amor total, e a criança teme perdê-la ou vê-la aniquilada.
Mecanismo de Reparação: Para aliviar a culpa, o bebê mobiliza o impulso de reparação. Isso significa tentar "consertar" o Objeto Amado que foi danificado em fantasia. A reparação é o motor da criatividade, do cuidado e do desenvolvimento ético (moralidade) do indivíduo. A capacidade de amar e se importar com o Outro, apesar da ambivalência, está na raiz desse mecanismo.
O sucesso na superação dessa posição (que nunca é totalmente abandonada, mas internalizada) permite que a criança desenvolva a capacidade de tolerar a ambivalência e de lidar com a perda e a separação. Uma falha nesse processo pode levar a patologias futuras ligadas à culpa excessiva, à mania (negação da depressão) ou a dificuldades crônicas de lidar com o luto.
Para Refletir: Pense em sua capacidade atual de perdoar e reparar um erro em um relacionamento importante. Essa capacidade de restaurar o objeto (a relação) não reflete, em essência, o êxito em atravessar a Posição Depressiva?
Sugestão de Leitura (Bibliografia):
KLEIN, M. (1940). O Luto e Suas Relações com os Estados Maníaco-Depressivos (Texto que conecta a posição depressiva ao luto e à patologia adulta).
SEGAL, H. (1979). Introdução à Obra de Melanie Klein (Excelente síntese sobre as posições).
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