A Falha no Símbolo: O Fenômeno Psicossomático como Expressão da Não-Inscrição Psíquica
Na perspectiva psicanalítica, os fenômenos psicossomáticos (asma, dermatites, problemas gastrointestinais crônicos sem causa orgânica clara) surgem na infância quando o aparelho psíquico falha em simbolizar a experiência emocional traumática ou a frustração. Quando o caminho da representação (o caminho do pensar e do sonhar) está bloqueado, a energia psíquica é desviada para o corpo, que se torna o último e mudo recurso de expressão.
O Corpo como Palco e o "Pensamento Operatório"
O sintoma psicossomático não é um sintoma histérico (que tem sentido e pode ser falado), mas uma mensagem codificada que não se integrou à cadeia de significantes do sujeito:
Inscrição Falha: A mente da criança depende da Função Alfa (capacidade de reverie materna) para transformar o elemento Beta (a excitação traumática) em algo pensável. Quando essa função falha, a angústia não se inscreve na memória e não pode ser processada. O afeto, privado de representação, segue o caminho mais curto e primitivo: a descarga somática. O corpo reage onde a mente não pôde elaborar.
O Enigma e o Não-Dito: O sintoma psicossomático é um enigma que precisa ser lido pelo analista. Ele é a materialização de um conflito que foi vivido no Registro do Real (Lacan) – aquilo que não pode ser simbolizado, mas que não cessa de não se inscrever. Muitos casos de somatização estão ligados a segredos familiares ou à transmissão psíquica de lutos e traumas não elaborados pelos pais.
Pensamento Operatório: O sujeito com tendência psicossomática frequentemente apresenta um pensamento operatório (Marty e a Escola Psicossomática de Paris). Isso significa um modo de funcionamento mental pobre em fantasias, focado em fatos, detalhes e na realidade externa, com pouca capacidade de introversão ou de ligação entre afeto e ideia. A ausência de um rico mundo interno é o que impede a elaboração psíquica, forçando o corpo a assumir a tarefa.
A intervenção na psicossomática infantil exige mais do que a interpretação do sintoma. Exige que o analista atue como suplemento da função de simbolização, ajudando o paciente a criar a capacidade de fantasia e a dar um lugar psíquico à dor, resgatando a comunicação que estava presa no orgânico.
Para Refletir: Onde, em sua vida pessoal ou profissional, você percebe a dificuldade de sentir e nomear as emoções se manifestando como um cansaço físico ou uma dor sem causa aparente?
Sugestão de Leitura (Bibliografia):
MARTY, P. e DE M’UZAN, M. (1963). O Pensamento Operatório (Conceito central da Escola Psicossomática Francesa).
WINNICOTT, D. W. (1971). O Brincar e a Realidade (Sobre a importância da criação de um espaço potencial para a saúde psíquica e a simbolização).
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