A Patologia do Vazio: O Império da Angústia e a Clínica com os "Novos Sintomas"

 



Se a clínica de Freud era predominantemente a da histeria (o excesso de sentido reprimido que se manifestava no corpo), a clínica contemporânea é marcada pelas patologias do vazio e do ato. O sofrimento de hoje não se deve tanto à proibição e ao recalque de um desejo, mas à falha na constituição do Eu e na capacidade de simbolizar.

O Vim e a Falha na Ligação

O "vazio" psíquico é a experiência de uma falta radical de sentido e de uma dificuldade em ligar afeto à representação (ideia), resultando em sintomas que buscam a descarga imediata e o preenchimento da angústia:

  • Sintomas da Descarga: Os "novos sintomas" (como a dependência química, o acting out, as compulsões alimentares e a automutilação) são formas de descarga da tensão que não puderam ser transformadas em pensamento. Eles são tentativas de anestesiar a angústia de desintegração, operando no registro do Ato em vez do Símbolo. O sujeito age para não pensar e, muitas vezes, para sentir algo em um self percebido como vazio e irreal.

  • A Crise do Narcisismo: Estas patologias são expressões de uma fragilidade narcísica fundamental. O indivíduo, pressionado pelo Supereu da Performance (como vimos no artigo anterior) e sem um Objeto Bom (Klein/Winnicott) solidamente internalizado, não consegue tolerar a frustração ou a falta. A angústia não é de castração (perder o que se tem), mas de anéanti (aniquilamento, dissolução).

  • A Clínica da Transferência: Na clínica do vazio, a transferência é frequentemente instável ou adesiva. O paciente pode buscar no analista não uma figura para representar e elaborar o conflito, mas um objeto concreto que preencha o buraco. O analista precisa, então, atuar como ambiente de holding (Winnicott) e vaso (container) (Bion), tolerando a angústia e a destrutividade do paciente para que ele possa, lentamente, desenvolver a capacidade de simbolização e de existência sem a necessidade da descarga imediata.

A Psicanálise, portanto, é desafiada a ir além da interpretação do recalque. É preciso criar as condições para a inscrição psíquica de uma experiência de ser que falhou em se estabelecer na infância, transformando o ato mudo e destrutivo em narrativa e pensamento.

Para Refletir: Se os sintomas da descarga são uma tentativa desesperada de sentir em um mundo percebido como vazio, qual é o papel da experiência estética ou da arte como uma forma de simbolização não-verbal capaz de "ligar" o que a mente não consegue?

Sugestão de Leitura (Bibliografia):

  • GREEN, A. (1993). O Trabalho do Negativo (Sobre o conceito de "vazio" e o "objeto branco" na clínica).

  • BIRMAN, J. (2012). O Sujeito na Contemporaneidade (Análise da mudança do perfil clínico e dos "novos sintomas").


Caso precise de mais informações ou orientações sobre sua jornada de autoconhecimento, conte sempre comigo.

Dr. Marco Barbosa, Psicanalista. WhatsApp: 📲 17 997116341

Transforme sua mente, transforme sua vida.

Atendimentos com Psicanalista e Neuro Psicanalista Clínico, Self Coach, Professor e Filósofo Marco Barbosa. 💬 Transtornos emocionais, psicológicos e comportamentais tratados com empatia e ciência. 📍 Presencial ou On-line — você escolhe o conforto.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

PACIENTE FÓBICO por Psicanalista Marco Barbosa

E-BOOK - UMA VISÃO PSICANALITICA SOBRE AS PROMESSAS DE FINAL DE ANO

Angústia – O Sinal de Que Algo Importante Está Acontecendo