Matar a Criança: O Luto do Corpo Infantil e dos Pais da Infância na Crise da Adolescência

 



A Adolescência é, para a Psicanálise, uma fase de crise estrutural que só pode ser resolvida através de um intenso e doloroso trabalho de luto. O adolescente precisa se despedir de três perdas fundamentais para construir a sua identidade adulta, conforme postulado por Arminda Aberastury e Maurício Knobel: o luto pelo corpo infantil, o luto pela identidade infantil (o papel de criança) e o luto pelos pais da infância (os pais onipotentes e idealizados).

As Três Perdas Centrais da Adolescência

A angústia e a rebeldia do adolescente são manifestações desse esforço psíquico de desapego e reconstrução:

  • Luto pelo Corpo Infantil: O corpo que muda rapidamente (hormônios, pelos, voz) é, muitas vezes, vivido como um corpo estranho ou incontrolável. O adolescente perde a familiaridade com o corpo da criança, enfrentando a sexualidade e a finitude de uma nova maneira. A preocupação excessiva com a aparência e as dietas são defesas contra essa perda da imagem corporal infantil.

  • Luto pelos Pais da Infância: O adolescente precisa "matar" a imagem dos pais onipotentes (os pais que sabiam de tudo e podiam resolver todos os problemas) para assumir a falha e a humanidade dos pais reais. Essa desidealização é necessária para que o jovem não fique eternamente dependente. A rebeldia e a crítica exagerada aos pais são formas de forçar a separação e o desapego.

  • Luto pela Identidade Infantil: O adolescente perde o lugar cômodo e irresponsável de "criança" e precisa assumir a responsabilidade e as escolhas da vida adulta. O abandono de brinquedos e hobbies infantis e o isolamento são manifestações dessa busca por uma nova identidade que ainda não está plenamente estabelecida.

O trabalho analítico com o adolescente busca dar sentido a essa confusão e sustentar o luto. O terapeuta funciona como um referencial externo que tolera a ambivalência, a agressividade e a desidealização, ajudando o jovem a transformar a angústia da perda em energia para a criação do seu projeto de vida adulto.

Para Refletir: Qual foi o momento na sua adolescência em que você percebeu, de forma clara e talvez dolorosa, que seus pais não eram perfeitos ou onipotentes? Qual foi o impacto dessa descoberta na sua relação com eles?

Sugestão de Leitura (Bibliografia):

  • ABERASTURY, A. e KNOBEL, M. (1970). Adolescência Normal: Um Enfoque Psicanalítico (Obra seminal sobre o trabalho de luto na adolescência).

  • DOLTO, F. (1989). A Causa dos Adolescentes (Aborda a difícil transição e a relação com o corpo).


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Dr. Marco Barbosa, Psicanalista. WhatsApp: 📲 17 997116341

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