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O Ciúme Fraterno: O Rival e a Distribuição do Amor e a Luta Inconsciente pela Exclusividade Parental

 



O Ciúme Fraterno é um afeto complexo e inevitável na vida familiar, intensificado pela chegada de um novo bebê ou pela percepção da criança de que o amor dos pais não é exclusivo. Na Psicanálise, o ciúme está intimamente ligado ao Complexo de Édipo e à fantasia de que o amor parental é um bem finito que precisa ser disputado. O irmão, nesse cenário, é o rival que ameaça a posição da criança no status de ser o único objeto de desejo dos pais.

Ciúme, Ódio e a Economia do Amor

O ciúme fraterno é o campo onde a criança exercita a ambivalência afetiva (o amor pelo irmão e o ódio por ele):

  • Ameaça à Exclusividade: A chegada de um irmão representa a castração (perda) para a criança mais velha. Ela perde o lugar de objeto único do desejo materno e paterno. O ciúme é a reação a essa perda, gerando fantasias de abandono e o sentimento de injustiça na distribuição do afeto e da atenção.

  • O Retorno da Agressividade: O ódio e a agressividade (o desejo de que o irmão "vá embora" ou de machucá-lo) são sentidos como proibidos pelo Supereu e, por isso, são frequentemente reprimidos e substituídos por sintomas, ou são atuados de forma indireta (birras, regressão a comportamentos de bebê, problemas escolares).

  • Identificação e Rivalidade Edípica: O ciúme fraterno é um ensaio da rivalidade edípica que a criança sentirá na vida adulta. O irmão é, antes de tudo, o terceiro que rouba o objeto de amor. A criança se compara constantemente, buscando ser a favorita, a mais capaz ou a melhor, na esperança de recuperar a exclusividade.

O papel dos pais não é eliminar o ciúme – o que é impossível –, mas nomeá-lo e dar um lugar para ele. A Psicanálise intervém ajudando a criança a simbolizar a rivalidade e a aceitar a falta de exclusividade, mostrando que o amor dos pais não é uma soma que se divide, mas um campo que se multiplica e que a criança não precisa matar o rival para ser amada.

Para Refletir: Pense na sua relação com seus irmãos ou colegas mais próximos na infância. Que papel você sentia que precisava desempenhar (o rebelde, o inteligente, o prestativo) para garantir a atenção ou o amor de seus pais?

Sugestão de Leitura (Bibliografia):

  • FREUD, S. (1917). Uma Nova Série de Conferências Introdutórias à Psicanálise (Aborda o ciúme e a hostilidade fraterna).

  • KLEIN, M. (1932). Psicanálise da Criança (Interpretação da rivalidade e dos sentimentos destrutivos no brincar).


Caso precise de mais informações ou orientações sobre sua jornada de autoconhecimento, conte sempre comigo.

Dr. Marco Barbosa, Psicanalista. WhatsApp: 📲 17 997116341

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