O Complexo de Édipo e a Questão da Mãe Pré-Edípica: O Poder e a Ambiguidade da Relação Primária

 



Embora Freud tenha dado grande ênfase ao Complexo de Édipo e à figura do Pai, ele reconheceu que o período pré-edípico (a relação primitiva e total com a mãe) é de importância central e, ironicamente, o mais desafiador de estudar. Para a menina, a necessidade de mudar o objeto de amor da mãe para o pai torna este período de ligação primária com a mãe ainda mais complexo e cheio de ambivalência.

O Poder da Mãe Total

A mãe no período pré-edípico é o primeiro objeto de amor e ódio, sendo a fonte de toda a satisfação e frustração. Essa relação inicial define a base para o desenvolvimento psíquico:

  • A Ligação Primária: Para ambos os sexos, a mãe é o primeiro objeto libidinal. Para a menina, esta ligação é especialmente poderosa e duradoura. A mãe é vista como a figura onipotente que detém o poder sobre a vida, a nutrição e o corpo.

  • A Ambivalência e a Raiva: A frustração (a ausência do seio, o controle sobre o corpo, o desmame) gera na criança uma intensa agressividade contra a mãe. A menina precisa, no entanto, romper com essa ligação primária para poder se voltar para o pai e entrar no Édipo. O caminho da menina é, portanto, duplo: amar a mãe e odiá-la, mas, crucialmente, afastar-se dela.

  • A Descoberta da Falta: A razão para a menina se afastar da mãe e buscar o pai é a descoberta da castração. A menina culpa a mãe por tê-la feito "sem pênis" e a abandona como objeto de amor, transferindo o desejo para o pai (o portador do Falo). Essa virada dramática (da mãe para o pai) é o que define, para Freud, o início do Complexo de Édipo feminino.

As teóricas pós-freudianas, como Melanie Klein e, principalmente, a Escola das Relações de Objeto, enfatizaram a dificuldade em desinvestir a mãe pré-edípica. O poder dessa relação primária lança sombras sobre todas as relações futuras da mulher, incluindo a sua própria maternidade, que pode ser uma tentativa de reparar ou repetir a relação original. A psicanálise da feminilidade frequentemente retorna a essa figura materna, que é o campo de batalha entre o amor absoluto e a raiva destrutiva.

Para Refletir: O forte senso de solidariedade feminina (ou, inversamente, a intensa rivalidade) não seria um reflexo do retorno da intensidade da relação original com a mãe, onde o amor e a competitividade estão sempre entrelaçados?

Sugestão de Leitura (Bibliografia):

  • FREUD, S. (1931). Sexualidade Feminina (Aborda a importância do período pré-edípico para a menina).

  • CHASSEGUET-SMIRGEL, J. (1975). O Ideal do Eu (Para entender as relações de poder e idealização na díade mãe-bebê).


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