O Corpo Descontrolado: Enurese e Encoprese como Sintomas de Conflitos na Luta por Autonomia e Controle
A Enurese (micção involuntária, geralmente noturna) e a Encoprese (evacuação involuntária, geralmente após a idade esperada para o controle esfincteriano) são sintomas que, embora possam ter causas orgânicas, frequentemente escondem um conflito psíquico na criança. Estes sintomas são expressões diretas de uma regressão à fase anal e de uma luta inconsciente pela autonomia e pelo controle do próprio corpo, em face das demandas e da Lei impostas pelos pais.
A Urina e as Fezes como Linguagem e Agressão
Para a Psicanálise, os excrementos são os primeiros "objetos" que a criança aprende a controlar e que, portanto, se tornam veículos de agressividade e comunicação na relação com os pais:
A Regressão e a Perda de Controle: A enurese e a encoprese secundárias (que surgem após um período de controle) são vistas como uma regressão a um estágio anterior, geralmente deflagrada por um evento traumático ou estressante (nascimento de um irmão, separação dos pais, mudança de escola). A perda de controle dos esfíncteres é uma perda de controle sobre a própria situação de vida, uma volta à dependência infantil.
A Expressão da Agressividade: A retenção ou a eliminação inadequada podem ser um ato de desafio e uma expressão velada de agressividade contra a rigidez ou a exigência excessiva dos pais em relação ao asseio. A criança usa o que está sob seu controle (o próprio corpo) para se vingar ou para desafiar a autoridade, transformando os excrementos em "presentes sujos".
O Desejo de Atenção: O sintoma também pode ser um apelo desesperado por atenção. Ao regredir, a criança força os pais a voltarem a tratá-la como um bebê, recuperando o cuidado exclusivo que pode ter sido perdido devido a um novo evento na família. O sintoma garante que a criança volte a ser o foco.
A intervenção psicanalítica busca dar voz ao conflito que está sendo atuado no corpo. Ao interpretar o sintoma como uma mensagem sobre a dificuldade da criança em lidar com a Lei, com a separação ou com a agressividade, o analista a ajuda a simbolizar a luta pela autonomia em palavras, em vez de atuá-la com o corpo.
Para Refletir: Se o descontrole urinário ou fecal fosse uma forma de comunicação, qual seria a demanda não atendida da criança que ela estaria tentando impor aos seus cuidadores?
Sugestão de Leitura (Bibliografia):
FREUD, S. (1908). Caráter e Erotismo Anal (Estabelece a relação entre a fase anal e os traços de caráter de controle).
KLEIN, M. (1932). Psicanálise da Criança (Interpretação da agressividade ligada aos excrementos no brincar).
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