O Desejo em Jogo: A Escolha Profissional como a Primeira Grande Escolha de Desejo do Sujeito Adulto

 



A Escolha Profissional é um momento de crise e uma encruzilhada para o adolescente. Para a Psicanálise, ela transcende a mera aptidão e se estabelece como o primeiro grande ato de desejo que o sujeito precisa assumir em relação ao mundo externo, fora da tutela familiar. É o momento em que o jovem tenta responder à pergunta: "Quem eu sou para além do que meus pais esperam de mim?".

Escolha, Separação e o Peso do Nome

A dificuldade em escolher é frequentemente uma dificuldade em se separar das expectativas e em assumir o próprio desejo, que é sempre uma aventura no desconhecido:

  • O Peso das Expectativas: A escolha da carreira é um palco onde o adolescente confronta o desejo dos pais. O jovem pode inconscientemente escolher uma profissão para satisfazer uma antiga ambição frustrada do pai ou da mãe (mantendo-se ligado a eles) ou, inversamente, escolher algo radicalmente oposto para romper com a autoridade (o ato de rebeldia). Em ambos os casos, o próprio desejo fica ofuscado.

  • A Escolha como Ato de Separação: Escolher uma profissão implica renúncia (castração) – escolher um caminho significa perder todos os outros. Essa renúncia é o que a torna um ato de autonomia. A incapacidade crônica de decidir (a dúvida obsessiva ou a indecisão adolescente) é uma forma de adiar a separação e a assunção da responsabilidade pelo próprio desejo.

  • O Nome e a Identidade: A profissão escolhida é, simbolicamente, um novo nome para o sujeito (o "doutor", o "artista", o "professor"). É uma tentativa de dar consistência à nova identidade que surge após o luto da infância. A dificuldade em se identificar com a área escolhida é a dificuldade em habitar esse novo nome e a nova posição no mundo social.

O trabalho analítico nesse momento é crucial. O analista ajuda o jovem a distinguir entre o desejo do Outro (o que os pais querem para ele) e o próprio desejo. Ao assumir que o desejo é singular e, por vezes, não reconhecido pela família, o adolescente pode fazer uma escolha que o posicione como sujeito e não como mero fantoche das ambições alheias.

Para Refletir: Se você tivesse que escolher uma profissão que ninguém em sua família ou círculo social pudesse julgar, qual seria a primeira ideia que viria à sua mente? O que essa ideia diria sobre o seu desejo mais íntimo?

Sugestão de Leitura (Bibliografia):

  • DOLTO, F. (1989). A Causa dos Adolescentes (Aborda a escolha profissional como separação).

  • LACAN, J. (1958). Direção do Tratamento e os Princípios de Seu Poder (Sobre o desejo e a sua relação com a Lei e o Outro).


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Dr. Marco Barbosa, Psicanalista. WhatsApp: 📲 17 997116341

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