O Desejo Feminino Além do Falo: A Releitura de Lacan e a Noção de Gozo Outro
Jacques Lacan, em seus seminários, revolucionou a compreensão da sexualidade ao afirmar que o Falo não é o órgão biológico (pênis), mas sim o significante que representa o desejo, a falta e a castração para ambos os sexos. Para Lacan, todos os seres falantes estão submetidos à Função Fálica, a lei que organiza o desejo.
A Estrutura da Diferença e o "Gozo Outro"
A diferença entre o masculino e o feminino, para Lacan, não se encontra na anatomia, mas na posição subjetiva do sujeito em relação à Função Fálica:
O Lado Masculino (Tudo-Fálico): O homem, na teoria lacaniana, é inteiramente submetido à Função Fálica. Sua satisfação (Gozo) é limitada, quantificável e se inscreve na lógica do "tudo" – ou seja, ele tenta abarcar todo o gozo possível através do falo (o que Lacan chama de Gozo Fálico). É a ilusão de "ter tudo" ou de "ter a mulher inteira".
O Lado Feminino (Não-Todo): A mulher também participa do Gozo Fálico e está submetida à Função Fálica. Contudo, ela está "não-toda" inscrita nela. Isso significa que há uma parte de seu gozo que escapa à lógica fálica, que não pode ser nomeada, simbolizada ou circunscrita pelo significante. É o que Lacan chamou de Gozo Outro (ou suplementar).
O Mistério e o Infinito: O Gozo Outro é aquele que a mulher experimenta "além do falo," muitas vezes descrito como místico ou infinito, pois não pode ser articulado pela linguagem. Esse "não-todo" é o que confere ao desejo feminino o seu caráter de mistério e o que a coloca em uma relação particular e mais complexa com o Real (aquilo que não pode ser simbolizado).
A clínica lacaniana com o feminino, portanto, não trata de uma falta anatômica (como na inveja do pênis freudiana), mas de uma falta estrutural no campo do significante. O feminino aponta para um buraco na linguagem, para uma dimensão do gozo que é irredutível ao poder, ao ter ou ao ser.
Para Refletir: Se o Gozo Outro não pode ser falado ou simbolizado, como o analista pode "escutá-lo" e o que essa dimensão do gozo ensina sobre os limites da própria linguagem na clínica psicanalítica?
Sugestão de Leitura (Bibliografia):
LACAN, J. (1972-1973). O Seminário, Livro XX: Mais, Ainda (Onde Lacan desenvolve as fórmulas da sexuação e a noção de Gozo Outro).
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