O Pós-Verdade e o Declínio do Grande Outro: A Psicanálise Frente à Crise da Crença
A sociedade da pós-verdade e das fake news não é apenas um problema político ou jornalístico, mas uma profunda crise do laço social e da crença. Na perspectiva lacaniana, essa crise pode ser lida como o declínio do Grande Outro – o lugar simbólico que sustenta a Lei, a Verdade e a Garantia de uma ordem compartilhada.
A Fratura no Simbólico
O Grande Outro (a cultura, a linguagem, o saber, a ciência) é a instância invisível que nos permite confiar na realidade e na palavra do outro. Seu declínio tem consequências diretas na constituição subjetiva:
O Questionamento da Garantia: O Pós-Verdade não é a mentira, mas a indiferença à verdade. O que importa é a crença subjetiva e o pertencimento ao grupo (narcisismo coletivo). As instituições (justiça, ciência, política) que deveriam encarnar o Grande Outro perdem a sua autoridade simbólica e, com isso, a sua capacidade de mediar e limitar o real.
A Ascensão da Opinião e do Gozo Imediato: Com a fragilização do Outro que diz a Lei, o imperativo passa a ser o gozo individual e a satisfação imediata (o Princípio do Prazer sem mediação do Princípio da Realidade). A "minha verdade" é colocada acima da verdade objetiva, gerando um universo fragmentado onde cada um vive em sua própria bolha de crença.
A Angústia e a Busca por Novos Mestres: O declínio do Grande Outro provoca uma profunda angústia de desamparo e a sensação de que "não há mais chão". Em resposta a esse vazio, o sujeito busca refúgio em novos discursos de Mestre (líderes carismáticos, ideologias extremas, seitas). Essas figuras oferecem uma ilusão de certeza e uma nova Lei inquestionável, preenchendo o vazio simbólico com um gozo identitário totalizante.
A Psicanálise resiste a essa crise ao reafirmar a importância da palavra, do saber e da cadeia significante. O trabalho na clínica é o de ajudar o paciente a sustentar a falta (a castração) e a tolerar a incerteza inerente à condição humana, em vez de buscar refúgio em crenças prontas e totalitárias.
Para Refletir: Em que medida a busca incessante por conteúdo e informação nas redes sociais não é uma tentativa vã de tapar o buraco deixado pelo declínio da autoridade do conhecimento e da Verdade?
Sugestão de Leitura (Bibliografia):
LACAN, J. (1970). Radiofonia (Sobre o discurso e a Lei na sociedade).
BIRMAN, J. (2012). O Sujeito na Contemporaneidade (Análise da crise do laço social e o narcisismo).
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Dr. Marco Barbosa, Psicanalista. WhatsApp: 📲 17 997116341
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