O Que Não Pôde Ser Falado: A Compulsão à Repetição e a Neurose Traumática na Criança
A Compulsão à Repetição é um conceito revolucionário de Freud que descreve a tendência do psiquismo a reviver experiências dolorosas, em vez de recordá-las e elaborá-las. Em crianças, isso se manifesta de forma dramática, pois seu aparelho psíquico ainda está em formação e é menos capaz de absorver e simbolizar um evento que invade o Princípio do Prazer.
O trauma, especialmente na infância, é a vivência de um excesso de excitação (afeto sem representação) que não pôde ser ligado a palavras ou fantasias, ficando como um corpo estranho no psiquismo.
O Trauma Sem Palavras e o Tempo Presente
O trauma não resolvido aprisiona o sujeito em um tempo presente eterno, forçando-o a reencenar o evento original:
O Jogo e o Trauma: Freud observou a compulsão à repetição no jogo do Fort-Da do seu neto. Embora o jogo fosse uma forma de dominar a angústia da ausência materna (transformando-se de passivo a ativo), ele também revela o impulso de repetir para tentar, finalmente, elaborar aquilo que foi insuportável. Em crianças traumatizadas, o brincar é frequentemente rígido, estéril ou diretamente repetitivo do evento traumático (acidentes, cenas de violência).
Além do Princípio do Prazer: A repetição compulsiva é impulsionada pela Pulsão de Morte e opera além do Princípio do Prazer, pois força a criança a buscar ativamente situações que lhe causam desprazer e sofrimento. Isso ocorre porque o psiquismo tenta, através da repetição, dominar o trauma que, na primeira ocorrência, o dominou passivamente.
O Trauma Atuado (Acting-out): Como a criança tem um vocabulário e uma capacidade de simbolização limitados, o trauma frequentemente é atuado através de comportamentos. Isso inclui acidentes frequentes, envolvimento repetitivo em situações de perigo, ou o estabelecimento de vínculos onde ela é submetida ou se submete a figuras abusivas, revivendo a dinâmica original. A criança repete, inconscientemente, a cena para tentar dar um destino à dor que não pode ser nomeada.
O objetivo do tratamento psicanalítico, nesse contexto, é ajudar a criança a simbolizar o trauma, ou seja, transformá-lo de um ato a ser repetido para uma lembrança que pode ser falada. Isso requer um trabalho cuidadoso para historicizar o evento, transportando-o do tempo presente da compulsão para o passado que pode ser elaborado.
Para Refletir: Pense em situações (na sua clínica ou na vida) onde uma criança parece procurar o sofrimento. O que esse comportamento repetitivo estaria tentando dizer que a palavra não consegue expressar?
Sugestão de Leitura (Bibliografia):
FREUD, S. (1920). Além do Princípio do Prazer (Texto fundamental que introduz o conceito de compulsão à repetição).
FERENCZI, S. (1932). Confusão de Línguas entre o Adulto e a Criança (Sobre o impacto traumático da sedução/invasão na psique infantil).
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