O Trauma da Origem: A Criança Adotiva e a Fantasia Inconsciente de Ser Escolhida e Abandonada
A adoção é um ato de amor e desejo, mas para a criança, ela carrega em si uma complexa dinâmica psíquica. O desafio não está apenas na adaptação à nova família, mas na elaboração inconsciente da história de origem. A criança adotiva lida, muitas vezes, com o paradoxo de ser duplamente marcada: pelo abandono (ou separação) da família biológica e pela escolha (o desejo) da família adotiva. O trabalho psicanalítico visa ajudar a criança a simbolizar essa origem e a integrar o sentimento de ser escolhida com o trauma da separação.
Abandono, Escolha e a Fantasia Romântica
O psiquismo da criança adotiva é frequentemente atravessado por fantasias que tentam dar sentido à sua história:
O Duplo Vínculo: A criança precisa construir um vínculo de confiança com os pais adotivos, mas, inconscientemente, carrega o vínculo original com a mãe biológica (o trauma da separação). A fantasia de ser abandonada pode retornar em momentos de crise, levando a medos de separação ou a atitudes de testar o amor dos novos pais.
A Fantasia Romântica: Para lidar com a dor do abandono, a criança pode desenvolver a "fantasia da origem" – a crença inconsciente de que seus pais biológicos são figuras idealizadas (realeza, heróis) que, por motivos nobres, tiveram que entregá-la. Essa fantasia (freudiana) protege a criança da dor de se sentir rejeitada, mas impede que ela aceite a realidade da sua história.
O Medo da Destituição: A criança adotiva, que foi escolhida por amor, pode viver um medo inconsciente de que, se não for "perfeita" ou se expressar sua agressividade, ela será abandonada novamente. Isso pode gerar um excesso de "bom comportamento" ou, inversamente, a atuação de comportamentos desafiadores para testar o limite do amor dos pais adotivos.
O trabalho com a criança adotiva não é sobre descobrir a verdade factual da origem, mas sobre dar voz à fantasia e ao sofrimento que a história de origem impôs. É fundamental que os pais adotivos validem a história da criança e que a análise permita que ela integre as duas histórias – a do abandono e a da escolha – para construir uma identidade sólida.
Para Refletir: Pense em histórias (livros, filmes) em que o herói tem uma origem misteriosa. Por que a fantasia de ter uma origem diferente da que conhecemos é tão poderosa na cultura e na nossa própria mente?
Sugestão de Leitura (Bibliografia):
FREUD, S. (1909). Romance Familiar dos Neuróticos (Texto seminal sobre a fantasia da origem).
WINNICOTT, D. W. (1975). A Família e o Desenvolvimento Individual (Sobre a importância de a criança ter uma história de origem validada).
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