O Vazio e a Onipotência: A Estrutura Psíquica do Agressor e a Procura pelo 'Objeto' Inocente
O abuso infantil não é apenas um ato de desejo sexual desviado, mas primariamente um ato de poder e uma tentativa desesperada de obter satisfação narcísica por meio da dominação. O agressor, em muitos casos, carrega uma fragilidade psíquica e um vazio que o impede de se relacionar com o Outro como sujeito. A criança, por sua inocência e dependência, torna-se o "objeto" ideal para a sua compulsão.
A Estrutura Patológica do Ato
A violência contra a criança é um sintoma complexo que se assenta na falha de mecanismos psíquicos básicos:
Falha na Simbolização e no Limite: O agressor falha em internalizar a Lei da Castração (o limite) que proíbe o incesto e a satisfação irrestrita. O desejo se impõe como um imperativo que precisa ser descarregado no Ato (como vimos nas patologias do vazio). O agressor não consegue transformar seu impulso em pensamento ou fantasia, recorrendo à realidade bruta da ação para aplacar uma angústia interna.
O Vazio Narcísico e o Uso do Outro: O agressor frequentemente possui um narcisismo patológico sustentado por um senso de onipotência e um profundo vazio interno. A criança é escolhida porque é indefesa e sua submissão oferece a confirmação de poder que o agressor não consegue obter em relações adultas equitativas. A posse e a dominação da criança servem para tapar o buraco narcísico do agressor.
A Projeção da Culpa: Para manter sua ilusão de bondade e onipotência (negação da culpa), o agressor utiliza intensamente a projeção. Ele frequentemente atribui à criança a responsabilidade pelo ato ("Ela que provocou", "Ela que gostou"), reforçando a confusão de linguagens (Ferenczi) na vítima e garantindo que o trauma se mantenha na esfera do segredo.
A Psicanálise, ao analisar a etiologia do agressor, não busca justificar o ato, mas compreender a sua estrutura. O abuso é a manifestação de um fracasso em tornar-se sujeito, na medida em que o agressor usa o corpo da criança para descarregar uma tensão interna, perpetuando o ciclo de violência e trauma que, muitas vezes, ele próprio vivenciou. A criança é, paradoxalmente, a vítima da violência e o depositário da patologia do adulto.
Para Refletir: Se o abuso é primariamente uma tentativa de preencher um vazio narcísico, em que medida a falta de empatia do agressor (a incapacidade de ver a criança como um sujeito separado) reflete uma falha precoce na sua própria capacidade de relação de objeto?
Sugestão de Leitura (Bibliografia):
KERNBERG, O. (1984). Severe Personality Disorders (Para aprofundamento na patologia narcísica e na agressão).
CHASSEGUET-SMIRGEL, J. (1975). O Ideal do Eu (Análise do Ideal do Eu patológico e o recurso à perversão).
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