Velocidade e Limite: O Uso do Corpo no Risco Adolescente e a Busca Inconsciente por Sentir a Vida

 




A tendência do adolescente a se envolver em situações de risco (velocidade, uso de substâncias, desafios físicos, brigas) é, para a Psicanálise, uma manifestação de angústia e uma forma de atuação do conflito psíquico que não pôde ser simbolizado em palavras. O corpo do adolescente se torna o palco de um drama interno, uma busca por sentir a vida de forma intensa, desafiando a Lei e os limites da própria existência.

O Teste do Limite e a Angústia de Ser

A conduta de risco é uma linguagem que busca responder a uma pergunta sobre a própria realidade do sujeito:

  • O Teste da Lei e do Corpo: O adolescente, em seu luto pela onipotência infantil, precisa testar os limites do mundo externo e do seu próprio corpo. O ato de arriscar-se (velocidade, esportes radicais) é uma forma de desafiar a Lei (simbolizada nos pais e nas regras sociais) e testar a própria imortalidade que, inconscientemente, ele ainda deseja ter. A pulsão de morte, o desejo de destruição, é atuada fora do setting analítico.

  • A Busca pela Sensação: A velocidade, a dor e a adrenalina proporcionam uma sensação de vivacidade que o adolescente, em meio à confusão de sua identidade, sente ter perdido. A intensidade do risco preenche o vazio existencial e a angústia de não saber quem ele é. O corte (tatuagem, piercing, autolesão) é uma tentativa de delimitar o corpo e de sentir a própria realidade em um momento de desintegração psíquica.

  • O "Agir" vs. o "Falar": A conduta de risco é uma atuação (acting out), ou seja, uma passagem ao ato de um conflito inconsciente, que ocorre porque o adolescente ainda não tem a capacidade psíquica de representar o conflito em palavras (falar). A análise busca transformar o ato em palavra, dando sentido à destrutividade e à urgência de viver perigosamente.

A intervenção psicanalítica não é a de reprimir o risco, mas sim de interpretá-lo. O analista deve se posicionar como um referencial de Lei que não sucumbe à atuação, ajudando o adolescente a ligar o afeto à ideia e a direcionar a energia do risco para a criação, a paixão e o projeto de vida, em vez de direcioná-la para a autodestruição.

Para Refletir: Pense em uma atitude de risco ou rebeldia na sua adolescência. O que era mais importante para você nesse momento: o prazer do ato ou a reação de espanto, raiva ou preocupação que o ato gerava nas figuras de autoridade?

Sugestão de Leitura (Bibliografia):

  • KNOBEL, M. (1970). Adolescência Normal: Um Enfoque Psicanalítico (Aborda a atuação e as condutas de risco).

  • GREENACRE, P. (1950). O Problema da Angústia no Adolescente (Sobre a relação entre corpo em mutação e angústia).


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Dr. Marco Barbosa, Psicanalista. WhatsApp: 📲 17 997116341

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