O Homem Histérico: A Histeria em Pacientes do Gênero Masculino e a Crise da Virilidade
Embora a Histeria tenha sido historicamente associada ao feminino, ela é uma estrutura de neurose que pode se manifestar em qualquer gênero. No homem, a histeria assume um tom particular: a insatisfação crônica e a pergunta sobre o desejo se manifestam como uma crise da virilidade ou como uma busca incessante por reconhecimento e por um ideal de poder que nunca é alcançado.
O Sintoma e a Questão da Potência
No homem, o sintoma histérico frequentemente se articula em torno da potência, do desempenho e do reconhecimento social e profissional:
O Sintoma como Falha: O sintoma de conversão no homem pode aparecer como a falha no desempenho que atesta a sua "castração" simbólica: uma impotência sexual temporária, a afonia antes de uma apresentação importante, ou dores crônicas que o impedem de trabalhar. O sintoma é a prova de que ele não é o homem idealizado que se propôs a ser.
A Busca pelo Mestre: O homem histérico busca um Mestre, um Ideal de Eu (chefe, mentor, figura política) para se identificar e provar sua virilidade. Contudo, ele, assim como a mulher histérica, rapidamente desqualifica esse ideal para não se submeter à Lei e para manter a pergunta (e o desejo) em aberto. A insatisfação é o motor para pular de um ideal para outro.
O Drama da Virilidade: A histeria masculina é a neurose do desejo de ser desejado e, ao mesmo tempo, da dificuldade em aceitar a posição de ser o Desejante. Ele pode se comportar de forma sedutora e buscar o centro das atenções, mas sua insatisfação impede que ele se fixe em uma posição estável de sujeito. Ele não é o Mestre que finge ser, mas sim o servidor do seu próprio desejo insatisfeito.
A análise com o homem histérico se concentra em analisar o ideal de virilidade que ele persegue e falha em alcançar. O trabalho visa fazê-lo aceitar a falta e a não-potência absoluta (a castração), permitindo que ele se liberte da tirania do desempenho e possa inventar uma posição de sujeito que não dependa do reconhecimento constante do Outro.
Para Refletir: Pense na sua maior insegurança sobre o seu desempenho ou posição social. Se essa insegurança fosse magicamente resolvida, o que você faria com a energia que hoje gasta tentando provar o seu valor?
Sugestão de Leitura (Bibliografia):
FREUD, S. (1900). A Interpretação dos Sonhos (Casos iniciais de histeria masculina).
LACAN, J. (1969-1970). O Seminário, Livro XVII: O Avesso da Psicanálise (Sobre a estrutura do discurso histérico).
Caso precise de mais informações ou orientações sobre sua jornada de autoconhecimento, conte sempre comigo.
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