O Complexo de Édipo Revisitado: A Maternidade como Repetição, Reparação e a Quebra do Destino
A decisão de ser mãe, ou o próprio ato de maternar, reativa intensamente o Complexo de Édipo e, principalmente, a relação primitiva e ambivalente com a própria mãe (a mãe pré-edípica). A maternidade força a mulher a confrontar o Ideal do Eu e a forma como ela foi, ou não, sustentada em sua infância. Entre a Repetição e a Reparação A chegada do filho coloca a mulher na posição de objeto de amor e, simultaneamente, de objeto de ódio (pela frustração que ela inevitavelmente impõe ao bebê), reeditando a dinâmica com sua própria mãe: A Compulsão à Repetição: Muitas vezes, a mulher, inconscientemente, repete com o filho os padrões de cuidado (ou a falta dele) que recebeu de sua mãe. Se ela não internalizou uma Função Materna sólida (um container seguro), ela pode usar o filho como objeto narcísico, projetando nele seus próprios desejos e angústias (o que Winnicott chama de "o bebê como a mãe que ela nunca teve"). O filho, nesse caso, é usado para reparar o self materno...